Coracy Teixeira Bessay


FÁTIMA SOUZA: ACORDO MÍDIA-GOVERNO CENSURA O PCC
Conversa Afiada

26/10/07
A repórter policial Fátima Souza escreveu um livro em que retoma os dez anos de história do PCC (Primeiro Comando da Capital). “PCC – A Facção” é um livro-reportagem e foi editado pela editora Record.
Fátima Souza disse em entrevista a Paulo Henrique Amorim nesta sexta-feira, dia 26, que o PCC não acabou e que há um acordo entre a mídia e o governo para não falar sobre a facção (clique aqui para ouvir o áudio).
“Está havendo um acordo em relação ao PCC. Um acordo entre as emissoras de rádio e de TV e o governo, visto que daqui a pouco tem eleições. Gente que foi daquela época que não se combateu o PCC volta a ser candidato”, disse Fátima Souza.
Fátima Souza disse que o PCC é “maquiado”. Segundo ela, quando o PCC realiza algum assalto, por exemplo, a mídia e a polícia evitam falar que se trata de uma ação da facção.
“Ações que hoje são feitas pelo PCC, como assaltos a condomínios, assaltos a bancos e roubo de carga não têm sido divulgados como sendo da sigla PCC. Uma parte da imprensa tem evitado falar da sigla”, disse Fátima Souza.
Segundo Fátima Souza, para combater o PCC é preciso, primeiro, acabar com a corrupção policial. Ela disse que é por meio da corrupção policial que entram os celulares – a maior arma do PCC – nas cadeias.
O livro de Fátima Souza também retoma o caso do “Castelinho”, que foi um episódio em que cerca de 300 policiais cercaram e mataram 12 supostos assaltantes numa estrada do interior, conhecida como Castelinho. A Operação, que ficou conhecida como “Castelinho”, ocorreu durante o governo de Geraldo Alckmin.
Fátima Souza ouviu os presos que sobreviveram à Operação. Ela disse que conta no livro a versão deles sobre a Operação Castelinho. Fátima Souza ouviu dos presos que a policiais se infiltrou no meio do grupo e fingiram ser bandidos para prender os integrantes do grupo.
Os presos disseram para Fátima Souza que a polícia agiu por vingança e que a polícia escolheu aquela quadrilha porque o grupo fez um resgate no mesmo local, em Sorocaba (SP), onde morreu um policial e outro ficou paraplégico. Segundo os presos, a polícia armou um esquema para executar os membros da quadrilha.
Clique aqui para saber mais sobre o livro “PCC – A Facção”.

Leia a íntegra da entrevista com Fátima Souza:

Paulo Henrique Amorim – Fátima, o PCC acabou?
Fátima Souza – O PCC não acabou, infelizmente Paulo. Ele está sendo maquiado, mas continua na ativa, continua agindo, continua nos mesmos moldes de antes. E infelizmente, do outro lado, com a falta de combate do crime organizado também, da mesma maneira.
Paulo Henrique Amorim – Como que ele é maquiado?
Fátima Souza – Na verdade Paulo, muitas ações que hoje são feitas pelo PCC como assaltos a condomínios, como aconteceu recentemente, assaltos a banco, roubo de carga, não tem sido divulgados como sendo da sigla PCC. Uma parte da imprensa tem evitado tratar da sigla tratando ela como uma quadrilha, como se isso fosse resolver o problema. De outro lado, também interessa ao governo que o PCC não esteja diariamente na mídia. Então, muitos casos que são apresentados na imprensa, embora os bandidos que fizeram o crime sejam do PCC, nem sempre isso tem sido divulgado, ao contrário do que acontecia antigamente.
Paulo Henrique Amorim – Como é que se pode dizer que aqueles assaltos a banco, a condomínio, roubos de carga são do PCC?
Fátima Souza – São bandidos ligados ao PCC. São bandidos conhecidos ligados ao PCC que continuam fazendo esse tipo de ataque em São Paulo. Bandidos conhecidos dentro do meio da própria Polícia, bandidos conhecidos por parte da imprensa e bandidos conhecidos dentro do PCC, o que não se tem feito é divulgar que eles fazem parte. Inclusive esse episódio que está acontecendo agora em relação ao delegado e os policias de São Paulo que teriam torturado e achacado um bandido na cidade de Campinas, é um bandido ligado ao Primeiro Comando da Capital.
Paulo Henrique Amorim – É o Abadía?
Fátima Souza – Não, o outro bandido, com relação aos crimes de Campinas.
Paulo Henrique Amorim – E ele é ligado ao PCC?
Fátima Souza – Ele é ligado ao PCC.
Paulo Henrique Amorim – Então você diria que está havendo uma censura ao PCC. O PCC está censurado.
Fátima Souza – Paulo, eu me dou a liberdade de dizer que está havendo um acordo em relação ao PCC. Um acordo entre as emissoras de TV, as emissoras de rádio e o governo, visto que daqui a pouco a gente tem eleição. Gente que foi daquela época, e não combateu o PCC, volta a ser candidato. Eu não consigo compreender como uma emissora como a Rede Globo, por exemplo, que tem uma grande penetração com o jornal dela, trate o PCC como quadrilha. Tem aquela história, “a imprensa faz o nome do bandido”, não, não precisa, Paulo, o PCC já faz o nome dele com tamanho alarde com os ataques de maio do ano passado que não precisa mais. Eu acho que falar, Paulo, é combater e não fingir que não existe. Foi o que o governo fez quando eu denunciei o PCC em 97. Você se lembra muito bem, a gente trabalhava na mesma emissora, e o governo disse que aquilo era uma balela, que era uma invenção para dar Ibope, nos taxando de irresponsáveis, jornalisticamente. O governo não combateu, o PCC cresceu. Agora, a gente continua não combatendo e escondendo debaixo do tapete, mas debaixo do tapete eles estão fazendo muita sujeira.
Paulo Henrique Amorim – Agora, vamos falar especificamente do teu livro, Fátima. Você pesquisa para fazer esse livro há quanto tempo?
Fátima Souza – Paulo, na verdade é um livro-reportagem onde eu conto os dez anos de história do PCC, de 97 a 2007, contando todas as histórias que ocorreram na cidade, alguns contatos meus com os dirigentes do partido criminoso, tentativa de fuga, tem um capítulo sobre as mulheres do PCC, que é muito interessante. O número de mulheres no mundo do crime é cada vez maior. Então eu faço um relato de reportagens que fiz, de contatos que tive, coisas que não puderam ir para o ar. Tem um episódio muito interessante do Castelinho, aquela operação em Sorocaba.
Paulo Henrique Amorim – Você conta aquilo?
Fátima Souza – Eu conto aquilo, Paulo, porque eu estive na cadeia com dois bandidos que foram recrutados pela Polícia queriam dar uma entrevista e o governo recusou, não permitiu que a imprensa fosse ouvi-los. E eu acabei indo como visita na cadeia e consegui entrar. Então eu conto a versão deles para os fatos.
Paulo Henrique Amorim – E qual é a versão deles?
Fátima Souza – A versão deles, como já foi até noticiado, é que a Polícia, usando aquele esquema que se usa muito nos Estados Unidos, é muito comum, a Polícia se integrar no meio dos bandidos fingindo ser bandido também e prendendo os integrantes. Agora, o que eles contam é que foi por vingança que a Polícia escolheu aquela quadrilha. A quadrilha tinha feito um resgate, por acaso, no mesmo local, em Sorocaba, onde tinha morrido um policial e outro ficou paraplégico. Então, aquela quadrilha foi escolhida por vingança. Conto aquela história da bala de festim, que a Polícia deu balas de festim para os bandidos que iriam fazer o suposto assalto, já que não havia avião-pagador em Sorocaba, isso era uma invenção da Polícia, e armou um esquema para fazer mesmo uma execução.
Paulo Henrique Amorim – Foi uma execução?
Fátima Souza – Foi uma execução. Colocando 300 policiais a espera de 12 bandidos que iriam fazer um assalto que a Polícia inventou. Eles contam uma coisa super grave, que o ônibus que estava levando os bandidos foi roubado com a anuência da Polícia. Que na época se fingia de bandido colocando em risco, inclusive, o motorista do ônibus. Então, tem uma versão deles de como é que a coisa teria acontecido.
Paulo Henrique Amorim – E nessa operação do Castelinho tem alguma autoridade, algum policial em julgamento?
Fátima Souza – Não Paulo. Esses policiais só foram afastados, o Grad, que era a Polícia responsável na época pela ação, que contou também com outros integrantes da Polícia Militar naquele cerco de 300 policiais, mas o Grad era o responsável. Depois das denúncias, o governo extinguiu o Grad e os policiais só foram remanejados, alguns foram para Guarulhos, foram espalhados. Por enquanto não houve punição.
Paulo Henrique Amorim – Agora, me conta uma coisa, como é que se organiza hoje o PCC dentro da cadeia?
Fátima Souza – O PCC já é bastante organizado porque já tem hoje representantes em todas as cadeias de São Paulo. Apenas quatro presídios não estão sob o comando do PCC. Um deles está sob o comando do TCC, que é o Terceiro Comando da Capital uma nova facção de dissidentes do PCC, e outros três presídios são liderados pelo CBRC, Comando Brasileiro da Criminalidade, que é um grupo contrário ao PCC. Os outros presídios todos são comandados pelo PCC que tem pilotos dentro de cada cadeia, são assim que eles chamam o representante em cada cadeia, de piloto que organiza e recebe as ordens dos chefões e repassa ali dentro das cadeias. É claro, não é Paulo, a grande arma do PCC, o grande aliado do PCC no crime é o telefone celular, que é uma festa dentro das cadeias, todo mundo sabe disso.
Paulo Henrique Amorim – Continua a ser?
Fátima Souza – Continua a ser, Paulo.
Paulo Henrique Amorim – Mas o governador José Serra quer acabar com o telefone celular nas escolas.
Fátima Souza – Pois é, isso é até irônico, não é Paulo, eu acho que, é claro, tem os seus limites. Você está assistindo um aula e ficar atendendo o telefone constantemente atrapalha o professor, atrapalha o andamento da aula. Talvez alguma coisa tipo, desliguem os seus telefones quando estiverem na aula, como desliga-se no teatro, como desliga-se antes de ir ao cinema. Até aí beleza, agora impedir que o aluno entre na escola e não impedir que tenha um celular dentro da cadeia é até cômico, não é?
Paulo Henrique Amorim – Deixa eu te perguntar uma outra coisa. E o Marcola, ainda é o líder do PCC?
Fátima Souza – O Marcola ainda é o líder do PCC ao lado do Julinho Carambola, o Júlio César Guedes de Moraes, que é o braço direito dele, são os dois homens que ainda comandam o PCC.
Paulo Henrique Amorim – E a Polícia sabe disso?
Fátima Souza – A Polícia sabe disso. O Deic, divisão de crimes organizados daqui de São Paulo, tem, inclusive, um organograma, Paulo, oficial, que eu até publico no meu livro, onde aparece lá “cabeça: Marcola; abaixo de Marcola Julinho Carambola; abaixo de Julinho Carambola, Andinho”, aquele seqüestrador, um dos financiadores e aí vai. Para você ter idéia do tamanho do PCC, basta dizer que o que causou aqueles ataques horrorosos que aconteceram aqui, no ano passado, foi porque a Polícia resolveu separar o que ela chamava de líderes e chefes do PCC em um único presídio. E foram 775 homens. Então, se o PCC tem 775 chefes identificados pela Polícia, você vê o tamanho da facção.
Paulo Henrique Amorim – Mas agora, o governo de São Paulo fez uma supertransferência de presos e não aconteceu nada. O PCC não teve nenhuma reação.
Fátima Souza – Porque essa supertransferência de presos, segundo a Secretaria, é benéfica aos detentos. Estariam transferindo presos de um presídio para outro para que se reserve alguns presídios, se esvaziem alguns presídios para que eles funcionem em regime semi-aberto. Então, hoje muitos presos não conseguem ir para o regime semi-aberto porque não tem vaga. E para eles é interessante estar aqui na rua, não é?! Então, é por isso que a situação ficou tranqüila, aparentemente seria benéfico a eles.
Paulo Henrique Amorim – Por isso não houve reação. E você acha que o PCC não acaba tão cedo?
Fátima Souza – Eu acho muito difícil o PCC acabar tão já.
Paulo Henrique Amorim – E como é que se faz para acabar com ele?
Fátima Souza – Bom, primeiro você precisaria acabar com a corrupção policial que ainda é muito grande e facilita muito a vida dos bandidos. A corrupção nas cadeias que deixa o celular entrar, o que é gravíssimo, a corrupção nas ruas, onde bandidos são presos e soltos mediante pagamento. Então, você acabar com a corrupção policial seria a metade do caminho para você acabar com o PCC. E um combate um pouco mais forte ao crime organizado. Também acho que deveria acontecer uma revisão no nosso Código Penal, porque hoje é muito fácil, não é Paulo, se você vai preso, você cumpre um sexto da pena e está na rua. Então, é uma das coisas que eu não concordo com o Código Penal. O indivíduo fez um crime, recebeu 30 anos de cadeia, tem que ser 30 anos de cadeia para ele, Paulo. Porque o direito de cumprir um sexto da pena e ir para a rua, isso facilita a vida dos bandidos. Então, você tem um sistema Judiciário que não funciona direito, você tem uma Polícia corrupta e você tem um Código Penal que favorece a vida dos bandidos, fica até fácil ser bandido, não é? O cara sabe que ele vai pegar dois anos de cadeia e cumprir quatro. Então, talvez aí uma mudança no Código Penal, nem que seja para crimes mais graves, que seja mantida um sexto da pena para crimes leves. E que seja cortado um sexto da pena para crime grave.

Questões ( do blog ) que o tempo responderá:

Será que Júlio Lancelotti estaria sendo, no fim das contas, extorquido mesmo é pelo PCC?;

Será que já se saberia disso, mas aproveitam-se para sangrar e desacreditar o religioso perante a opinião pública, que já não deve gostar muito da atuação de Júlio Lancelotti?;

A mesma polícia corrupta e ligada ao PCC – mas que pode muito bem jogar nos dois times, dependendo da conveniência – estaria, então, encarregada de “desvendar” a extorsão contra o padre, ainda que cometida pelo PCC?;

Pois, se for verdade esta história de “esconder” a facção nos noticiários, isso também seria feito no caso de Júlio Lancelotti. “Melhor” ainda: a ausência da sigla serviria muito bem à causa, capacitando transformar vítima em algoz; a menos que Júlio pertença ao PCC, e aí não se falaria nele;

Em todos esses anos de convívio com o quinhão marginalizado da sociedade, jamais Júlio foi procurado pelo PCC, nem para um simples bate-papo informal ou alguma singela ameaça?

Em todos esses anos de convívio com o quinhão marginalizado da sociedade, jamais Júlio foi procurado pela Polícia, nem para um simples bate-papo informal ou alguma singela ameaça?

Não precisamos que o imprensalão faça as perguntas por nós. Sabemos ao lado de quem eles estão.

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Eric Fang, Chairman, Founder and CEO

Mr. Fang has twenty-five years corporate experience in technology investment, business development and corporate management in the fields of mobile, wireless and broadcast. He has been key China market development consultant, advisor, strategist to the world’s major technology companies namely Tektronix, Arris Group, Software AG, Interphase, RNK Capital, AT&T, GE Capital and L-3 Communications.

Mr. Fang has been intimately involved in mobile network 2.5G and 3G optimization over the past 15 years and is sponsoring a 4G-LTE IP service development for China Mobile. Under Mr. Fang’s leadership, his Sinoaccess Group has completed landmark network projects in China including the first CMTS-Cable Modem, 4 digital TV uplink stations and 100 earth stations of data broadcast network contracts with the State Administration of Radio, TV and Film, 5 TDMA VSAT wireless network contracts with Ministry of Petroleum, Ministry of Communications and Ministry of Railways total to more than 500 earth stations throughout China.

In addition to a passion and focus on telecommunications, Mr. Fang is intimately involved in renewable energy and ensuring Mr. Fang currently serves as a senior advisor to China CDM Fund, a Chinese Central Government Green Fund under the Ministry of Finance of China. Mr. Fang also serve as a member of trustee board at the National Center for Sustainable Development (NCSD) in Washington D.C., and a board member of the University of Wisconsin-Stevens Point Foundation.

In 2011, the joint cooperation of National Development and Reform Commission (“NDRC”), Ministry of Finance of China, and Eric’s non profit organization, namely the National Center for Sustainable Development, sponsored the production of the first CCTV Climate Change documentary “Warm and Cold, We Share Together”, and was presented at UN Climate Change Conference in Doha by President Hu Jing Tao.
Mr. Fang earned a Bachelor of Medical Science degree from Southwest University of Medical Sciences in China and a Bachelor of Science degree from University of Wisconsin-Stevens Point.

Mitchell Stanley, President

Mr. Stanley is a financial services innovator and corporate entrepreneurial leader with over 40 years of experience in Washington, DC. A native Washingtonian, he recognizes how US government policy affects small and large American businesses domestically and internationally. He is skilled at exploiting and adapting how business opportunities evolve with changing US demographics and new global realities. Mr. Stanley served as an economic analyst in the US. Department of State before joining President Reagan’s campaign and serving on the President’s West Wing staff for three years. In 1984, he joined the International Trade Administration of the Department of Commerce and organized the First Presidential Trade Mission to China. This first-ever Presidential trade mission to China built upon the US business growing interest in new markets and served as a model for subsequent bi lateral contacts. Upon his return and the success of the mission Secretary of Commerce Malcolm Baldrige chose Mr. Stanley as his Chief of Staff and Cabinet Secretary.

Subsequent positions in the Federal government involved organization of Federal resources to manage financial institutions regulatory issues at the Federal Home Loan Bank Board and as Deputy Administrator of SBA for Finance, Investment and Procurement where innovative solutions were needed to solve widespread problems in the banking and capital markets sectors. Each case required a deep understanding of how the US government creates private sector opportunities with policy shifts as well as the best way to capitalize on them. Subsequent to leaving the Government, Mr. Stanley worked at a subsidiary of Ford Motor Credit before organizing the acquisition of an obscure (at the time) banking charter in Utah from H&R Block to make government guaranteed loans over the Internet. WebBank was the first FDIC insured Internet financial services platform to exploit the cost savings and national scope inherent in Internet loan production.

Mr. Stanley returned to his interest in China and international issues in 2002, selling his interest in WebBank, and formed two nonprofit corporations (which can make profit but have no shareholders) the National Center for Sustainable Development (NCSD) and the Brownfields Stewardship Fund (BSF.) The first for US tech transfer in the low carbon sector and the second for restoration of contaminated land in the US so that a developer or new user can finance it with liability protection.

Edward Triebell, Chief Sales Officer

Edward Triebell is an experienced global sales, business development and marketing executive with proven experience and record of progressive successes in multiple corporate functional roles, including: corporate management, global business development, sales and marketing management, channels development and management, strategic alliances, product management, program management, applications engineering, project engineering and design engineering. He has achieved successful career growth at small start-up entrepreneurial companies, mid-level corporations and Fortune 100 companies.

He has 30+ years of industry experience in the high technology arena and has including cable television, semiconductors, polysilicon/renewable energy/solar materials and products, RF/Microwave components, flat panel displays/LCD/LED televisions, mobile cellular wireless communications, fixed wireless communications, cable/HFC-based communications and satellite communications. His background has focused on high volume and low volume products, services, software provided as SaaS solutions, to unique systems-level solutions. And his customer expertise covers consumers, telecommunication carriers, B2B, NGO and government organizations.

He has successfully developed both the US and international markets in Latin America, Asia, Africa and the Middle East for companies including NexxCom Wireless, Poly Plant Project, ClearAccess, International Datacasting Corporation, Comtech, Superconductor Technologies, CEYX Technologies, Aegis Broadband, L-3 Communications, ComStream Corporation, and Scientific-Atlanta. Prior to his tenure in sales and sales management, Mr. Triebell worked as an RF/Microwave design engineer. Mr. Triebell holds a B.S. in Electrical Engineering from Florida Institute of Technology and has completed graduate course work for his M.S.E.E. and the M.B.A. degrees. He also attended an Executive Management program at the Wharton School of Business.

Steve Chien, CTO

Mr. Chien brings more than 20 years of experience in the software industry, identifying innovative technologies to support research and development and to guide the development of life-cycle methodologies.

Mr. Chien was a principal staff of Product Lab and leading the development of big data analysis and cloud data center buildup. Prior to joining Product Lab, Mr. Chien was a senior management staff of the Research and Development of the eCommerce platform of GSI Commerce, Inc., that powers eCommerce sites such as Ralph Lauren, Adidas, and those for the NFL and Major League Baseball. There, he provided the technical insights and guidance on product development, performance training, and project management. GSI was acquired by eBay later on.

Before that, he was Chief Technology Officer and Vice President of Engineering and Service Operations at Moka LLC, a technology company which developed SMS real-time translation solutions in both the US and China. Steve traveled regularly between the US and China and managed the application and system development, QA, and service operations between the countries. Before joining Moka LLC, Steve served as the Chief Architect of WisageTech, an innovative technology company that developed enterprise-level project and portfolio management applications for companies around the world, including Lockheed Martin, China Mobile, Bank of Montreal, and Amway. He led the research and development team and focused on designing and developing the distributed application architecture, single sign-on security, performance optimization, and cross database solutions.

Before that, he was the Senior Development Manager for the Hong Kong Stock Exchange, the second biggest securities and futures exchange in Asia. Steve took the leading role of directing the technologies and managed the development process of the middleware division of the Clearing unit. Prior to working there, Steve was the Director of Platform Technology of InterWorld Corp., a leading eCommerce platform company that provided solutions to enterprises including Disney, Marks & Spencer, American Eagle, Ann Taylor, Brooks Brother, OKI Data, IKON Office Solutions, and Global Sources. He led the platform team on architecting and developing a highly parallel application server, load balancer, security, and messaging framework across different operating system and database platforms.

Steve Chien holds a Master’s degree in Computer Science from New York University and a Bachelor’s degree in Power Mechanical Engineering from Tsinghua University in Taiwan.

Ling Fang, Co-Founder and President, China

Ling Fang, President and co-Founder of Muuzii® Inc., has worked in the broadband and wireless communications industries for over 20 years and is responsible for operations in China.

Ms. Fang has extensive management experience in China ranging from corporate operations, corporate communications, business development and product management. She serves as a key consultant to many world-class technology, telecom and wireless companies, namely the AT&T, GE Capital Spacenet, ComStream, Tektronix, Software AG and RNK Capital.

Ms. Fang has successfully managed and completed network projects in China including the mobile translation project with China Mobile, 4 digital TV satellite uplink stations and 100 earth stations of data broadcast network contracts with the State Administration of Radio, Film and Television (SARFT), 5 TDMA VSAT wireless network contracts with Ministry of Petroleum, Ministry of Communications and Ministry of Railways total to more than 500 earth stations throughout China.

Prior to her telecom experience, Ms. Fang was an educator and served as a faculty member of Beijing Forestry University for more than 10 years. She received her BA from Sichuan University and Master of Arts in Philosophy from the prestigious Beijing University.

Richard G. Klann, CFO

Richard Klann is an experienced financial analyst with an extensive background in banking and renewable energy for both public and private companies.

For the last 7 years Mr. Klann has been the VP of Corporate Finance for BlueFire Renewables Inc., a technology company, deploying its proprietary process to produce biofuels. He is in charge of the company’s finance, accounting, financial analysis, financial modeling, corporate compliance and investor relations. His responsibilities include public company financial reporting, Securities and Exchange Commission filings and general accounting and auditing of the company’s finances. While at BlueFire, he has been instrumental in securing an $88 million dollar grant from the US Department of Energy as well as two different loan guarantee applications with the USDA and DOE both. In addition, he has an extensive background in government grant compliance and reporting. He has overseen the implementation of business computer systems and general management of day-to-day activities.

He has been successful at raising over $4 million dollars in various transactions from multiple private investors as well as mid cap funds. In connection with the investments he has worked on multiple Registration Statements for the sale of stock as well as the issuance of multiple convertible and traditional debt offerings and warrants in connection with these investments.

Previously he worked for Ironstone Bank, a commercial bank in Newport Beach, CA focusing on corporate lending and equipment acquisition. Before that, Mr. Klann worked for Bank of America for almost 6 years as a client manager and lending specialist

Mr. Klann has a BA from California State University, Fullerton in Economics and a Political Science minor.

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